Combinando estética, inovação e responsabilidade ambiental, os pigmentos metálicos e de efeito se consolidam com destaque na formulação de tintas que possuem identidade e propósito. E o mercado brasileiro, atento às tendências globais, mostra que tem talento e estrutura para liderar essa transformação. De acabamentos automotivos a embalagens premium, passando por aplicações industriais, os efeitos especiais ganham espaço em projetos que exploram sofisticação visual, impacto sensorial e diferenciação estética.
Por Gabriela Lozasso
Brilho, profundidade, textura e personalidade. Os pigmentos metálicos e de efeito têm deixado de ser apenas um toque final nas formulações de tintas para se tornarem elementos estratégicos na criação de produtos diferenciados e de alto valor agregado. Em um mercado cada vez mais exigente e dinâmico, esses insumos ganham espaço por oferecerem impacto visual e performance técnica, resistência e versatilidade. E o Brasil, com sua indústria criativa e em constante evolução, acompanha esse movimento com entusiasmo, glamour e inovação.
Segundo Antonio Labecca Filho, gerente comercial da Aldoro, os desafios são grandes, mas a busca por crescimento contínuo, tanto no mercado brasileiro quanto internacional, segue firme. Consolidada como produtora local e com posição de destaque em pigmentos metálicos, a Aldoro aposta na diversificação de portfólio e no atendimento técnico de alto nível como diferenciais competitivos. “Oferecemos produtos fabricados no Brasil com qualidade técnica comparável aos globais, e com vantagens exclusivas de um produtor local”, afirma Labecca. Entre as tendências mais promissoras, ele destaca a busca por pigmentos de alumínio com efeitos mais claros e intensos, que impulsionam ciclos de evolução tecnológica e mantêm o segmento em constante renovação.
Fabien Darche, gerente de desenvolvimento de negócios LATAM da Susonity, observa que o mercado está dividido entre a demanda por produtos de baixo custo, com forte presença de mercadorias asiáticas, e a busca por soluções premium, com foco em qualidade e serviços associados. “Estamos preparados para atender essas duas frentes no Brasil”, avisa o executivo. Ele aponta como tendência o crescimento dos efeitos “fake solids”, especialmente no setor automotivo, com partículas finas que revelam sofisticação sutil. “Significa que o mercado vai pedir partículas menores, com alta cromaticidade e saturação. De alguns meses para cá, estamos observando esse movimento do mercado”.
Darche menciona que também ganham espaço os efeitos camaleão com brilho reduzido e os tons de verde modernizados, que devem marcar presença a partir de 2027 em aplicações automotivas e de laser. “Em complemento, continuo acreditando na utilização dos efeitos camaleão com dosagem sutil e nível de brilho reduzido para oferecer ao mercado efeitos mais suaves, mágicos e sofisticados”, reitera o gerente ao mencionar: “em termos de cor, mesmo que o azul ainda esteja no seu auge na América Latina, estamos observando um forte retorno do verde, diferente e modernizado, longe do antigo British Racing Green ou até do verde pinheiros capitalizando em tons mais lavados e pasteis para o setor automotivo e de laser a partir de 2027”.
O mercado de pigmentos metálicos e de efeito atravessa 2025 com sinais mistos, refletindo tanto a cautela do início do ano quanto expectativas otimistas para os próximos meses. A indústria, marcada por ciclos de inovação e forte sensibilidade às condições macroeconômicas, tem se mostrado resiliente diante de desafios como custos operacionais elevados, instabilidade na cadeia de suprimentos e exigências regulatórias cada vez mais rigorosas. Na avaliação de Tatiane Zanotello, gestora de produtos e fornecedores do Cluster de Efeitos da Braschemical, o ano começou com certa prudência, mas projeta um aquecimento nas vendas de pigmentos especiais no segundo semestre. “O desafio está em demonstrar o valor superior dos produtos e superar os impactos macroeconômicos que afetam a cadeia de suprimentos”, explica a gestora.
Ela destaca tendências como pigmentos desenvolvidos a partir de matérias-primas naturais, efeitos multidimensionais e holográficos, e tecnologias de microencapsulação que criam experiências sensoriais únicas. “Um dos movimentos em evidência é a valorização dos efeitos multidimensionais e holográficos, capazes de criar cores que mudam de tonalidade conforme a luz, entregando sofisticação e exclusividade em segmentos como maquiagem, esmaltes, embalagens premium e até no setor automotivo. Além disso, cresce a demanda por pigmentos de alta performance, que unem brilho intenso à resistência ao calor, à radiação UV e a solventes, garantindo estabilidade e durabilidade às formulações”, reforça Tatiane. Ela também observa que a personalização ganha força, com cores exclusivas e pigmentos funcionais aplicados em segurança, impressão 3D e design. “A personalização também entra em cena, com pigmentos customizados para marcas que desejam cores únicas e diferenciadas, além de novas tecnologias de microencapsulação, que possibilitam efeitos sensoriais e visuais surpreendentes. Paralelamente, o avanço digital abre espaço para pigmentos funcionais aplicados em segurança, impressão 3D e soluções inovadoras em design”, diz.
Cristine Lopes Camargo, gerente regional de vendas da Eckart para a América do Sul, também avalia que o mercado brasileiro de pigmentos metálicos e de efeito segue em expansão, impulsionado pela busca por acabamentos sofisticados, durabilidade e apelo visual. “Observamos uma demanda crescente por pigmentos de alta performance, como os cromados, superfinos refletivos e perolados sintéticos intensos, em linha com as tendências globais. Aplicações automotivas, industriais, gráficas e de embalagens têm exigido cada vez mais resistência UV, estabilidade térmica e conformidade ambiental”, afirma. Essa percepção de crescimento é compartilhada por outros players do setor, que também apontam oportunidades e desafios específicos do mercado nacional.
Fabiano Romero, gerente de contas da Divisão de Tintas da Colortrade, avalia o mercado brasileiro de pigmentos metálicos e de efeito com otimismo, mas também com cautela diante dos desafios estruturais. “As perspectivas são bastante promissoras, impulsionadas pela demanda por inovação estética e funcional em setores como automotivo, cosmético, embalagens e tintas arquitetônicas. A busca por cores exclusivas, efeitos visuais diferenciados e maior durabilidade segue como fator-chave de competitividade”, afirma o gerente. Segundo ele, questões como volatilidade cambial, gargalos logísticos e prazos de homologação ainda exigem das empresas planejamento estratégico e proximidade com os clientes.
Com uma indústria cada vez mais voltada à personalização, à sustentabilidade e à performance visual, esses pigmentos são protagonistas em projetos que exigem sofisticação, durabilidade e impacto sensorial. Nesse cenário, fornecedores locais e globais apostam em tecnologias avançadas, atendimento técnico especializado e soluções customizadas para atender a um consumidor mais exigente e conectado às tendências internacionais.
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