Mesmo diante de déficit recorde, setor encerra 2025 com avanços em competitividade, defesa comercial e sustentabilidade, e projeta retomada de crescimento com o PRESIQ
A indústria química brasileira encerra 2025 com faturamento líquido da ordem de US$ 167,8 bilhões, crescimento de 2,9% em relação ao ano anterior, mas ainda enfrenta um cenário desafiador marcado pelo aumento das importações em condições desleais de concorrência, que vêm pressionando a produção nacional e a geração de empregos.
As importações do setor somaram US$ 72,4 bilhões, alta de 13% sobre 2024, enquanto as exportações atingiram US$ 15,5 bilhões, resultando em déficit comercial de US$ 56,8 bilhões — o maior da série histórica. O nível de utilização da capacidade instalada, em 64%, permanece entre os mais baixos das últimas décadas.
Os dados foram apresentados no início de novembro, durante o 30º Encontro Anual da Indústria Química, realizado no Theatro Municipal de São Paulo, na capital paulista. O evento, promovido pela Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), reuniu autoridades, lideranças empresariais e especialistas para discutir inovação, competitividade e sustentabilidade sob o tema “Inspirando Conexões”. A programação incluiu painel principal sobre a transição para uma produção de baixo carbono, as premiações “Mulheres na Química” e “Olímpiadas da Química”, mostras artísticas e um pocket show de Vanessa da Mata.
Desafios e conquistas do setor
“O ano de 2025 foi de grandes desafios, mas também de importantes conquistas para o setor químico brasileiro. Conseguimos avançar em frentes decisivas que fortalecem a competitividade da indústria, preservam empregos e pavimentam o caminho da transição para uma produção mais sustentável”, afirmou André Passos Cordeiro, presidente-executivo da Abiquim. Segundo ele, após anos de retração, o setor começa a dar sinais de estancamento da queda e leve retomada de crescimento, resultado direto da adoção de medidas estruturais de defesa comercial e de estímulo à produção nacional.
“Essas ações foram fundamentais para conter a hemorragia que vinha sendo verificada na indústria química, marcada por queda de vendas, baixa utilização da capacidade instalada e perda de competitividade”, destacou Passos. O dirigente explica que dois movimentos foram decisivos para essa virada: a elevação temporária das tarifas de importação para 30 grupos de produtos químicos — medida renovada em 2025 — e a adoção de medidas antidumping em segmentos estratégicos. “Essas decisões começaram a conter o avanço das importações sobre o consumo total de químicos no Brasil e contribuíram para estabilizar a produção, as vendas e o faturamento do setor”, acrescentou.
Mesmo em um cenário global adverso, a indústria química mantém posição de destaque dentro da indústria de transformação brasileira — é o terceiro maior setor em valor adicionado, o quarto maior empregador, o terceiro maior contribuinte em tributos e o segundo em remuneração média, com salários de cerca de R$ 7,4 mil, atrás apenas do setor de refino e biocombustíveis. “Conseguimos manter a relevância econômica e social do setor, sem aumento de inflação nem processos demissionais, o que reforça o impacto positivo das medidas adotadas”, afirmou o presidente-executivo.
Política industrial e novos investimentos: REIQ e PRESIQ
Outro eixo de avanços foi a redução do custo de matérias-primas e o estímulo a novos investimentos, com a retomada do REIQ (Regime Especial da Indústria Química) em 2023 e, mais recentemente, com a aprovação do PRESIQ (Programa de Retomada e Sustentabilidade da Indústria Química) pela Câmara dos Deputados. “Durante o período de suspensão do REIQ, houve queda de R$ 6 bilhões na arrecadação federal proveniente do setor. Com a retomada, o mesmo valor foi recuperado, e mais de R$ 1 bilhão em novos investimentos foram aprovados na modalidade REIQ Investimentos”, lembrou Passos.
O PRESIQ, agora em tramitação no Senado, aperfeiçoa o REIQ e estabelece metas de modernização, descarbonização, eficiência energética e inovação, alinhando o Brasil às práticas de grandes potências industriais como Estados Unidos, União Europeia e China.
Segundo estudos técnicos, o programa poderá gerar impacto de R$ 112 bilhões no PIB até 2029, criar 1,7 milhão de empregos diretos e indiretos, recuperar R$ 65,5 bilhões em tributos e reduzir em 30% as emissões de CO₂ por tonelada produzida, elevando o uso da capacidade instalada de 64% para até 95%.
Abiquim lança nova identidade visual
A Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) apresenta sua nova identidade visual, uma marca que expressa a energia viva e transformadora da química. O novo símbolo representa o elo invisível que conecta pessoas, ideias e setores em torno de um mesmo propósito: o de promover uma indústria cada vez mais inovadora, sustentável e essencial à vida.
Mais do que uma atualização estética, a nova marca simboliza uma energia pulsante, quase química, como se diferentes elementos estivessem reagindo entre si para formar algo novo. Essa ideia de simbiose e mistura reflete o papel da Abiquim como ponto de encontro de forças diversas que, juntas, impulsionam o progresso do setor e do país.
“A nova marca nasce como um manifesto da nossa razão de ser: conectar. A química está presente em tudo — nas relações, nos processos, nas soluções. E é essa força de união que queremos evidenciar. ‘A química que nos une’ sintetiza nosso compromisso com o diálogo, com a sustentabilidade e com o futuro do Brasil”, destaca André Passos Cordeiro, presidente-executivo da Abiquim.
Além de uma letra, o novo “Q” da Abiquim é uma metáfora visual para o diálogo e a colaboração. Suas formas abertas e fluidas traduzem a capacidade de escuta e a construção de pontes entre indústria, governo, academia e sociedade. Ele representa a união de saberes, a troca constante e o compromisso com o entendimento coletivo.
Nos últimos dois anos, esse propósito de conexão ganhou forma concreta em uma série de acordos de cooperação firmados com instituições estratégicas como a Ancat, a Bee Touch, a Firjan SENAI, a DEEP e, agora, a ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial), a SBQ (Sociedade Brasileira de Química) e a Embrapii, cujos novos acordos foram assinados durante o 30º Encontro Anual da Indústria Química.
A presença feminina na indústria química tem se consolidado como um dos pilares de inovação, sustentabilidade e transformação cultural no setor. Durante o ENAIQ 2025, a Abiquim celebrou esse protagonismo ao reconhecer mulheres que se destacam por sua liderança, competência técnica e capacidade de inspirar novas gerações. A premiação reforça que a diversidade é um motor essencial para o avanço da química no Brasil e no mundo.
As homenageadas representam trajetórias marcadas por coragem, excelência e visão estratégica, mostrando que a liderança feminina é fundamental para enfrentar os desafios contemporâneos e construir um futuro mais inclusivo e inovador para a indústria química.
As premiadas foram: Tania oberding, diretora industrial do complexo acrílico da BASF, indicada pela liderança exemplar nas operações críticas do complexo acrílico, que completa 10 anos como referência em atuação responsável, tecnologia e sustentabilidade; Renata Bley, diretora de relações institucionais e global advocacy da Braskem, ela liderou iniciativas estratégicas que fortaleceram a competitividade de toda a indústria petroquímica brasileira; Claudia Schaeffer, diretora global de mudanças climáticas e de energia para américa latina da Dow, ela lidera o think tank de clima, permitindo que a Dow esteja na vanguarda dos esforços globais de descarbonização; Claudia de Moya Partiti Ferraz, chief information officer no Grupo OCQ, responsável pela digitalização do Grupo, promovendo a integração entre empresas e processos com foco em eficiência, inovação e sustentabilidade; Andrea Soares, vice-presidente senior de negócios, marketing e inovação da Indovinya, divisão de negócios global de especialidades químicas e surfactantes da Indorama Ventures. Ela personifica a liderança feminina que transforma a indústria química com visão, coragem e inovação. com espírito de aprendizado contínuo, ela valoriza o compartilhamento de conhecimentos e experiências; Cristina Barros, gerente comercial global na Nitriflex, sua iniciativa e liderança são essenciais para crescimento e competitividade da indústria; Monique Rodrigues de Souza, coordenadora de assuntos regulatórios da Nitro, cuja atuação destaca-se no projeto de soluções sustentáveis baseadas em polímeros biorrenováveis; Ronia Marques Oisiovici, diretora de inovação e sustentabilidade da Rhodia Solvay, responsável pela conquista do selo ouro do WHC; Renata Vallerio, gerente sênior de segurança, saúde, meio ambiente e qualidade da Unipar, com atuação fundamental para viabilizar a aprovação de financiamento de recursos do fundo clima e meio ambiente do BNDES, destinados a modernização da produção fabril em Cubatão/SP; Patricia Celestino, diretora de operações de packaged da White Martins, reconhecida por sua liderança e seu conhecimento técnico sobre uma operação que envolve a distribuição de gases em cilindros por todo o Brasil feita por cerca de 500 veículos, e a gestão de 51 unidades de operações de gases; e lara Terra, gerente sênior de energia na Yara Fertilizantes, sendo reconhecida pelo processo de liderança na migração da Yara, maior consumidora de gás natural do estado de São Paulo, para o mercado livre de gás.
A outra premiação no ENAIQ 2025 foi das Olimpíadas de Química que representam uma iniciativa essencial para o fortalecimento da educação científica no brasil, estimulando o interesse de jovens talentos pela química e suas aplicações na sociedade. mais do que uma competição, trata-se de um espaço de aprendizado, integração e valorização do conhecimento, que contribui para a formação de futuros profissionais e pesquisadores comprometidos com a inovação e o desenvolvimento sustentável. ao incentivar a excelência acadêmica e o pensamento crítico, as olimpíadas de química reforçam o papel transformador da ciência na construção de um país mais preparado e competitivo.
O programa brasileiro das Olimpíadas de Química completou, em 2025, 30 anos ininterruptos de atividades, sempre buscando promover o interesse pela química entre os alunos do ensino fundamental e médio e consolidar a motivação dos estudantes matriculados no ensino superior. Neste percurso, inspirou mais de seis milhões de estudantes, constituindo uma fonte de profissionais qualificados para a indústria e a academia.
O ENAIQ 2025 prestigiou os dez estudantes brasileiros que conquistaram medalhas nas três olimpíadas internacionais de química realizadas em 2025. Como reconhecimento, a Abiquim ofertou a cada um desses alunos o prêmio de cinco mil reais, reconhecendo os esforços e a dedicação durante toda a competição. A diretora executiva de transição energética e sustentabilidade da Petrobras, Angelica Garcia Corbas Laureano, entregou entregou as medalhas para Artur Barroso Uchoa, medalha de ouro na Olimpíada Ibero-americana e medalha de bronze na internacional Mendeleev; Cristian Levi de Sousa Silveira, bronze na ibero-americana e na internacional Mendeleev; daniel suda hatushikano, medalhas de bronze nas Olimpíadas Ibero-americana e na internacional Mendeleev; Ian Barreto, medalhas de bronze na Ibero-americana e na internacional Mendeleev; João Lucas Santos Vieira, medalha de prata na ibero-americana e medalha de bronze na internacional Mendeleev; Lucas Kenji Fujibayashi, medalha de prata na Olimpíada Internacional de Química; Luís Cláudio de Sá Cavalcante Generoso, medalha de bronze na olimpíada internacional Mendeleev; Paulo Vinícius de Azevedo, medalha de bronze na Olimpíada Internacional Mendeleev; Rafael Arruda Lima, medalha de prata na Olimpíada Ibero-americana; e Vinícius Queiroz Dias, medalha de ouro na Olimpíada Ibero-americana e medalha de bronze na internacional Mendeleev.




